Comprar pronto ou mandar fazer: como decidir antes de gastar

Equipe Rampex

Compre pronto quando o processo da empresa pode se adaptar ao software sem prejuízo, e mande fazer quando o processo é justamente o que diferencia a empresa. O fator que mais muda o resultado não é o preço nem a tecnologia: é o tamanho do escopo. Projeto pequeno termina bem com frequência muito maior do que projeto grande, então a decisão útil quase sempre é cortar escopo antes de escolher fornecedor.

A empresa testou três sistemas de prateleira. Um não faz o cálculo do jeito certo, o outro obriga a mudar um processo que funciona, o terceiro faz tudo e custa mais que a operação inteira.

Aí aparece a ideia de mandar fazer. E aí aparece a pergunta que trava a decisão por meses: vale?

Este artigo é o critério, e ele começa por um dado que muda a conversa de lugar.

O que mais decide o resultado é o tamanho

Antes de comparar fornecedor, vale saber o que a pesquisa da área aponta como fator dominante.

Os relatórios CHAOS, do Standish Group, acompanham resultado de projeto de software há três décadas. A taxa geral de sucesso medida em 2020 foi de 31%. O detalhe que importa é a quebra por tamanho: projeto pequeno chega perto de 90% de sucesso, e projeto grande fica abaixo de 10%.

A McKinsey, com o centro de gestão de grandes programas de Oxford, estudou mais de 5.400 projetos de TI e achou o mesmo padrão pelo outro lado: em média, 45% acima do orçamento, 7% acima do prazo, entregando 56% menos valor do que o previsto. Cada ano adicional de projeto acrescenta cerca de 15% ao estouro.

Duas ressalvas de escopo, para o número não ser usado errado: o estudo da McKinsey é de 2012 e só considera projetos com orçamento acima de US$ 15 milhões. Nenhum leitor deste texto está nessa faixa. O que se aproveita dele não é a magnitude, é a direção: quanto maior e mais longo, pior o resultado, de forma consistente.

Isso reposiciona a pergunta. Antes de decidir entre comprar e mandar fazer, corte o escopo até ele caber em algo curto. A decisão fica mais fácil e o resultado melhora nos dois caminhos.

Quando comprar pronto ganha

Software de prateleira é mais barato, existe hoje e já foi testado por milhares de empresas. Ele ganha quando:

  • O processo não é o diferencial da empresa. Folha de pagamento e emissão fiscal seguem a mesma lei para todo mundo. Fazer diferente não gera vantagem.
  • A empresa pode se adaptar ao software. Se o jeito da casa é hábito e não vantagem, mudar o hábito sai mais barato que mudar o software.
  • O volume ainda é baixo. Pagar licença enquanto o negócio é pequeno custa menos que manter código próprio.
  • Você precisa disso funcionando este mês. Prateleira entrega em dias.

Quando mandar fazer ganha

  • O processo é o que a empresa vende. Se a forma de operar é o motivo de o cliente escolher você, encaixá-la num sistema genérico apaga a vantagem.
  • A adaptação do pronto já virou gambiarra. Três planilhas paralelas e duas integrações manuais custam mais do que parecem, e o custo é recorrente.
  • A soma das licenças passou do custo de construir. Isso acontece mais cedo do que a maioria imagina quando o número de usuários cresce.
  • O dado precisa sair de onde está. Depender de exportação manual de outro sistema é um risco que não melhora sozinho.

O custo que não aparece na proposta

Proposta de desenvolvimento mostra o custo de construir. O custo real é o de manter, e ele é recorrente.

Item Prateleira Sob medida
Custo inicial Baixo Alto
Custo recorrente Licença por usuário, sempre Hospedagem e manutenção
Mudança de regra do negócio Espera o fornecedor, ou não vem Você decide a prioridade
Mudança de lei Vem incluída É trabalho seu
Sair do fornecedor Depende da exportação que ele oferece O código é seu
Quem conhece o sistema O mercado inteiro Quem construiu

A última linha é a mais subestimada. Sistema sob medida sem documentação e sem mais de uma pessoa que o entenda é um risco concentrado, e ele cresce com o tempo em vez de diminuir.

Como decidir em uma tarde

  1. Escreva o processo que nenhum sistema pronto atende. Um só, o mais crítico. Se você não conseguir escrever, a resposta é comprar pronto.
  2. Pergunte se ele é vantagem ou hábito. Vantagem é algo que o cliente percebe e valoriza. Hábito é o que a casa sempre fez. Só vantagem justifica construir.
  3. Some o custo de licença dos próximos 36 meses, com o número de usuários que você espera ter, não o de hoje.
  4. Liste as gambiarras atuais e estime as horas por mês que elas consomem. Multiplique por 36.
  5. Corte o escopo pela metade. Depois corte de novo. O que sobrou é o que deve ser construído primeiro, e o dado do Standish é o motivo.
  6. Compare o custo de construir o que sobrou contra a soma dos passos 3 e 4.

Se depois de cortar duas vezes o escopo ainda for grande, o projeto não está pronto para começar. Falta decidir o que não vai ser feito.

O meio-termo que quase ninguém considera

A escolha raramente é entre os dois extremos. Existe um caminho no meio que resolve boa parte dos casos: manter o sistema de prateleira para o que é padrão e construir só a peça que falta, conectada a ele.

Folha, fiscal e contábil continuam no sistema pronto, que já acompanha a lei. O que é específico do seu negócio vira um sistema pequeno ao lado, que conversa com ele.

Isso mantém o escopo pequeno, que é exatamente onde a chance de terminar bem é alta.

Nota de transparência. As estatísticas citadas vêm do Standish Group e do estudo da McKinsey com Oxford, ambos linkados, com as ressalvas de escopo declaradas no texto. A Rampex não publica prazo médio, custo médio nem número de projetos entregues, e este artigo não apresenta nenhum como se publicasse. Quando essa base estiver consolidada, ela entra aqui e a data de atualização muda.